"No futuro, serão considerados analfabetos não aqueles que não souberem ler, mas também quem não entender o funcionamento de uma máquina fotográfica" - Lászlo Moholy-Nagy; Fotógrafo Húngaro; 1936

 

Meteoros Leonidas O que é essa Chuva de Meteoros?

Porque chama-se Leonidas?

Como ver?

Como fotografar?

Que filme usar?

Perdi o dia... o que faço agora?

Todas as respostas estão aqui...

 

O que é essa Chuva de Meteoros?

Existem diversos cometas, asteróides e outros corpos planetários em órbita do nosso sistema solar. E alguns desses corpos acabam cruzando a órbita da Terra. Eles são chamados de meteoróides. A grande maioria são pequenos fragmentos de algumas gramas (poeira cósmica). Quando penetram na atmosfera terrestre sofrem atrito com os gases aquecendo-o. O calor é tanto, que acaba derretendo ou mesmo evaporando o meteoróide, incandescendo o ar a sua volta, produzindo um meteoro brilhante ou estrela cadente. Os objetos maiores e mais resistentes conseguem chegar ao solo sendo chamados de meteoritos.

Uma  Tempestade de Meteoros é quando existe uma grande quantidade de meteoros vinda de um ponto específico do espaço (mais de 1000 meteoros por hora), no qual a Terra passa regularmente. No caso da Chuva Leonidas, é quando a Terra cruza a órbita do cometa Tempel-Tuttle, sempre nos meses de novembro. Esse cometa tem um período de 33 anos, mas seus fragmentos ficam em sua órbita e são capturados pela gravidade terrestre quando a Terra cruza-a.

Entretanto estima-se que menos de 1% dessas partículas chegam ao solo, o que dificulta o estudo desses materiais pelos cientistas.

A mais antiga e confirmada Chuva de Meteoros é datada de 1833, onde houve uma impressionante queda de meteoros, chegando a 10.000 objetos registrados por hora. Mais recentemente, em 1969, foi observado uma grande atividade, com o índice de 4 quedas por minuto (+ de 250 por hora), no norte do EUA.

Para o ano de 2000, espera-se uma grande atividade do ponto de vista do Brasil, embora não há como confirmar antecipadamente uma contagem, pois as partículas deixadas pelos cometas variam conforme múltiplos fatores (pressão de radiação, estrutura do cometa, atração dos planetas etc). Mas como esse cometa passou próximo do sol em 28 de fevereiro de 1998, esperava-se que as chuvas de 1998, 1999 e 2000 fossem bastante brilhantes, devido as partículas de poeira que se desprendeu nesta última passagem. Como a chuva de 1998 não foi tão espetacular quanto o esperado, a de 1999 correspondeu em parte às expectativas para quem estava no Oriente Médio (pico de 240 objetos por hora), talvez no ano 2000 teremos mais sorte por aqui, já que o Brasil ficará em uma posição muito favorável.

 

Porque chama-se Leonidas?

Apesar de cruzamos pelo meio a órbita do cometa, do ponto de vista de quem esta na Terra, os meteoros parecem vir da constelação de Leão. Por isso se convencionou chamar esse evento de Leonidas.

Veja abaixo um mapa detalhando a órbita terrestre e a do cometa:

Mapa orbital da Terra e do Cometa Tempel-Tuttle

No ano de 1966 foi calculado que a nuvem de partículas do cometa tinha uma "espessura" de 35.000 Km. A velocidade de encontro era de mais de 7 Km por segundo (25.200 Km/h). A grande maioria se desfaz em torno dos 100 Km de altura da superfície terrestre, ou mais. Apesar de todas essas circunstâncias, nada de mais aconteceu, a não ser um belo espetáculo espacial.

Apesar da chuva durar alguns dias, no ano de 1999, o dia de maior incidência foi o dia 18 de novembro, a partir das 2 horas da madrugada, do lado leste do horizonte. E no ano 2000, o dia será 17 de novembro, antes do amanhecer.

 

Como ver?

Para se ver bem o fenômeno, deve-se estar em um lugar o mais escuro possível e com ampla visão de todo céu. Não é necessário olhar em uma direção específica. A melhor forma, é ficar deitado, de modo a se olhar todo o céu. Nas cidades, avistaremos apenas os meteoros mais intensos. Ainda assim, é um bonito espetáculo.

Alguns meteoros são muito rápidos (duram cerca de 1 seg.), outros podem durar um pouco mais (cerca de 10 seg.). Os mais brilhantes e demorados apresentam colorações variadas, desde o prata até um verde claro intenso. Com alguma sorte, você poderá ver alguns fenômenos mais raros, como a explosão de um meteoro (parte-se em vários pedaços) ou as nuvens remanescentes da evaporação do meteoro.

meteoro verde

Se você estiver em um lugar silencioso, poderá até ouvir o barulho dos meteoros entrando na atmosfera (alguns semelhantes ao barulho de aviões a jato em grande altitude, outros como um apito agudo longínquo).

 

Como fotografar?

Existem algumas dificuldades para se fotografar os meteoros. Desde os custos financeiros do filme e revelação, até a baixa sensibilidade dos filmes em comparação à vista humana e a presença de muita iluminação artificial, tudo isso acarreta problemas.

Por isso muna-se de alguns filmes e boas roupas para essa jornada.

Comece usando uma câmera com objetiva grande angular. Uma 28 mm, ou no mínimo uma 35 mm, de f/2.8. Apoiada num firme tripé, aponte-a para a Constelação do Leão, ou para o leste (onde o Sol nasce). Quem tem uma objetiva normal (50 mm) também pode obter bons resultados. Use-as sempre na abertura máxima (f/1.8 por exemplo). Quem só tem objetivas zoom, com aberturas f/4.5 ou f/5.6, vai ter que triplicar os tempos recomendados.

Coloque o controle de velocidade em "B" e use um cabo disparador. Nas câmeras eletrônicas, pode-se optar pelos controles de disparos longos, mas isso pode acarretar grande consumo de energia, causando esgotamento nas pilhas. Tenha jogos extras.

Faça várias exposições, partindo de tempos curtos, tipo 15 segundos e vá aumentando até alguns minutos (conforme filme usado - veja abaixo). Coloque no enquadramento alguma construção ou árvore, para você ter algum parâmetro na hora da revelação.

 

Que filme usar?

Pode se usar filmes negativos coloridos, slides ou preto&branco. Entretanto, o mais recomendado é o slide, pois você vai ter a exata exposição fotografada, além de permitir "revelações puxadas".

No caso de negativos coloridos, prefira os ISO 1600 ou 1000 (como o Superia 1600 da Fuji ou o Kodak Supra 800). No mínimo ISO 400. Quando levar ao laboratório, explique que são fotos noturnas do céu, antes de algum balconista falar que seu filme "queimou". Peça para fazer as ampliações na densidade correta, sem deixar o céu de cor "lavada". Veja no negativo, com auxílio de uma boa lupa, se você conseguiu registrar algum meteoro, na dúvida. Cuidado para não confundir sujeiras ou riscos na ampliação com meteoros. Infelizmente, muitos minilabs colocam vários falsos meteoros em todos tipos de fotos...

Veja a tabela abaixo com os tempos (estimados) de exposição de acordo com o filme e objetiva.

abertura \ filme ISO 400 ISO 800 ISO 3200
f/ 1.8 2 minutos 1 minuto 15 segundos
f/ 2.8 4 minutos 2 minutos 30 segundos
f/ 4.0 10 minurtos 4 minutos 1 minuto
f/ 5.6 30 minutos 10 minutos 3 minutos

Observe que, com tempos muito longos (vários minutos) a rotação da Terra fará que as estrelas fiquem registradas no filme como traços e não pontos. Se você usar tele objetivas (135mm ou 210mm por exemplo) poucos segundos já farão esse efeito. Os meteoros captados serão traços coloridos fora do padrão comum das estrelas.

Se usar Filmes P&B, perderá a cor deles, mas em compensação poderá contar com a boa tolerância ao erro de exposição, que esses filmes tem. Use os Tri-X da Kodak e faça revelação alterada para + 2 pontos, ou use os T-Max 3200, sem alteração. Ou ainda o Neopan 400 ou 1600 da Fuji.

Se usar slides, use-os ISO 1600, como o Provia 1600 da Fuji ou o Ektachrome EPH 1600 da Kodak. Pode se optar pelos Sensia 400 da Fuji ou EPL 400 da Kodak com alteração na revelação para 1 ou 2 pontos a mais.

Não esqueça de marcar os tempos e regulagens utilizadas, para explicar como fez suas magníficas fotos quando for expô-las... Estamos aguardando os vitoriosos! 

Acima de tudo, quem fotografa eventos naturais, precisa de muita sorte e paciência. 
Boa sorte.

 

Você perdeu esse espetáculo de novembro de 1999?

Não se desespere... Anote aí outras chuvas de meteoros que ocorrem todo ano:

Chuvas Meteóricas

Datas

Taxa Astro Associado
Nome Abrev. Máximo Duração THZ Cometa ou Asteróide
Quadrantídeas QUA 03 Jan 28 Dez - 07 Jan 120  
Alfa-Centaurídeas ACE 08 Fev 28 Jan - 21 Fev 10  
Gama-Normídeas GNO 13 Mar 25 Fev - 22 Mar 5  
Lirídeas LYR 22 Abr 16 Abr - 25 Abr 15 Thatcher C/1861 G1
Pi-Pupídeas PPU 23 Abr 15 Abr - 28 Abr var. 26P/Grigg-Skjellerup
Eta-Aquarídeas ETA 05 Mai 21 Abr - 12 Mai 50 1P/ Halley
Librídeas LIB 06 Mai 01 Mai - 09 Mai 4  
Delta-Aquarídeas Austrais SDA 29 Jul 14 Jul - 18 Ago 15  
Pisces-Australídeas PAU 30 Jul 16 Jul - 13 Ago 5  
Alfa-Capricornídeas CAP 01 Ago 03 Jul - 15 Ago 8 Honda-Mrkos-Pajdusakova
Iota-Aquarídeas Austrais SIA 04 Ago 25 Jul - 15 Ago 5 2P/ Encke
Delta-Aquarídeas Boreais NDA 08 Ago 15 Jul - 25 Ago 5 2P/ Encke
Perseídeas PER 12 Ago 23 Jul - 22 Ago 80 Swift-Tuttle 1862 III
Kappa-Cignídeas KCG 18 Ago 03 Ago - 25 Ago 5  
Iota-Aquarídeas Boreais NIA 19 Ago 11 Ago - 31 Ago 5  
Alfa-Aurigídeas AUR 01 Set 25 Ago - 05 Set 10 Kiess 1911 II
Piscídeas SPI 19 Set 01 Set - 30 Set 5  
Draconídeas GIA 08 Out 06 Out - 10 Out var. Giacobini-Zinner
Orionídeas ORI 21 Out 15 Out - 29 Out 20 1P/ Halley
Taurídeas Austrais STA 05 Nov 01 Out - 25 Nov 7 2P/ Encke
Taurídeas Boreais NTA 08 Nov 01 Out - 25 Nov 7 2P/ Encke
Leonídeas LEO 17 Nov 14 Nov - 20 Nov 100(var.) 55P/ Temple-Tuttle
Alfa-Monocerotídeas AMO 21 Nov 15 Nov - 25 Nov var.  
Foenicídeas PHO 05 Dez 28 Nov - 09 Dez 5 Blanpain 1819 IV
Pupídeas-Velídias PUP 07 Dez 01 Dez - 15 Dez 10  
Geminídeas GEM 14 Dez 09 Dez - 19 Dez 80 3200 Phaeton (asteróide)
Ursídeas URS 22 Dez 17 Dez - 24 Dez 10 8/P Tuttle

Legenda

Nome - nome do enxame
Abrev. - abreviação utilizada internacionalmente
Máximo - data de atividade máxima
Duração - período aproximado de atividade
THZ - taxa horária de meteoros ( zenital ) ; var : variável
Cometa ou Asteróide - astro associado, caso seja conhecido


Obs : - no caso dos anos bissextos, considerar um dia antes das datas da tabela.

Fonte: http://www.cosmobrain.com/cosmobras/index.html


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